Na maioria das músicas que escuta, na
maioria das frases que lê, em quase todos os filmes que vê, lembra
alguém. O telefone toca, é a pessoa amada. Com facilidade podemos
identificaria este comportamento como de alguém apaixonado, sentimento
que nos faz considerar no outro o que ele representa para nós, dominando
a imaginação.
O apaixonado fala só, e chora sem razões
aparente. Estar apaixonado é como se estivesse “privado de viver”, vejo
na paixão um sinal do mal no comportamento do individuo, o apaixonado
sente-se livre, acreditando naquele sentimento como eterno. Poderíamos
considerar como um comportamento nocivo por levar em consideração o
sujeito que passa a maior parte do seu tempo com os pensamentos ocupados
em uma única razão; outra pessoa, o único telefonema que realmente
agrada e lhe deixa feliz é o da pessoa a qual foi projetada todas as
suas fantasias e sonhos.
A paixão é uma ação, faz o sujeito agir
diferente de seu comportamento habitual, é a expressão da “liberdade” no
homem. Para o filósofo Platão, a paixão visa explicar que o homem não
se preocupa com a razão nele oculta; ignorar a razão é o sentimento da
paixão.
A razão é uma arte, pouco comum, da paixão para a razão é uma atitude impossível, a presença da paixão pode ser amenizada, controlada, sublimada, mas “alguma coisa” fica no pensamento, a ação da razão durante o sentimento de paixão é pouco comum.
A razão é uma arte, pouco comum, da paixão para a razão é uma atitude impossível, a presença da paixão pode ser amenizada, controlada, sublimada, mas “alguma coisa” fica no pensamento, a ação da razão durante o sentimento de paixão é pouco comum.
A representação do outro na nossa vida, o
que nós construímos do outro, a dependência, a conivência; “deixar” o
sentimento da paixão eliminar a razão implica na desconstrução de um
saber de um conhecimento, colocando o apaixonado na pior, mesmo ele não
querendo este mal para si.
Pode ser possível evitar a paixão? A
resposta imediata é não; afinal sentimentos não se fiscalizam, é um
afeto sem o domínio do próprio impulso; quando se percebe já aconteceu, o
outro já domina seus pensamentos, suas ideias, seus sonhos.
Como evitar este mal? Não considerando o
plano da razão, mas em um trabalho pessoal de auto-reflexão o sujeito
consigo mesmo pode conseguir respostas, caminhos, terrenos para suas
dúvidas, sofrimentos, e muitas vezes lágrimas indesejáveis, e observar
no outro, outra pessoa, e não a formação constituída de você mesmo. Na
ação persuasiva onde você conversa com você mesmo, a paixão escapa, e
torna-se “transparente” apesar de que vai exigir certo amadurecimento,
mas se estamos vivos o risco de se apaixonar não fica difícil acontecer.
