Psicólogo Clínico


domingo, 29 de julho de 2012

Diblando uma Paixão







Na maioria das músicas que escuta, na maioria das frases que lê, em quase todos os filmes que vê, lembra alguém. O telefone toca, é a pessoa amada. Com facilidade podemos identificaria este comportamento como de alguém apaixonado, sentimento que nos faz considerar no outro o que ele representa para nós, dominando a imaginação.

O apaixonado fala só, e chora sem razões aparente. Estar apaixonado é como se estivesse “privado de viver”, vejo na paixão um sinal do mal no comportamento do individuo, o apaixonado sente-se livre, acreditando naquele sentimento como eterno. Poderíamos considerar como um comportamento nocivo por levar em consideração o sujeito que passa a maior parte do seu tempo com os pensamentos ocupados em uma única razão; outra pessoa, o único telefonema que realmente agrada e lhe deixa feliz é o da pessoa a qual foi projetada todas as suas fantasias e sonhos.

A paixão é uma ação, faz o sujeito agir diferente de seu comportamento habitual, é a expressão da “liberdade” no homem. Para o filósofo Platão, a paixão visa explicar que o homem não se preocupa com a razão nele oculta; ignorar a razão é o sentimento da paixão.
A razão é uma arte, pouco comum, da paixão para a razão é uma atitude impossível, a presença da paixão pode ser amenizada, controlada, sublimada, mas “alguma coisa” fica no pensamento, a ação da razão durante o sentimento de paixão é pouco comum.

A representação do outro na nossa vida, o que nós construímos do outro, a dependência, a conivência; “deixar” o sentimento da paixão eliminar a razão implica na desconstrução de um saber de um conhecimento, colocando o apaixonado na pior, mesmo ele não querendo este mal para si.
Pode ser possível evitar a paixão? A resposta imediata é não; afinal sentimentos não se fiscalizam, é um afeto sem o domínio do próprio impulso; quando se percebe já aconteceu, o outro já domina seus pensamentos, suas ideias, seus sonhos.

Como evitar este mal? Não considerando o plano da razão, mas em um trabalho pessoal de auto-reflexão o sujeito consigo mesmo pode conseguir respostas, caminhos, terrenos para suas dúvidas, sofrimentos, e muitas vezes lágrimas indesejáveis, e observar no outro, outra pessoa, e não a formação constituída de você mesmo. Na ação persuasiva onde você conversa com você mesmo, a paixão escapa, e torna-se “transparente” apesar de que vai exigir certo amadurecimento, mas se estamos vivos o risco de se apaixonar não fica difícil acontecer.