Psicólogo Clínico


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sobre Um Sentimento e Desejo


Muito vem se comentando da diversidade sexual, homofobia, homossexualidade e “cura” gay. Mas cura? E se trata de doença ou algum distúrbio? A homossexualidade já não é classificada como doença deste os anos 90, então fica descartada a palavra cura em nosso discurso. O que vamos trazer para este espaço é a ferramenta principal na prática profissional do psicólogo, a escuta.
Não podemos recusar atendimento a quem procura ajuda, seja homo ou hétero. E quando surgirem demandas que apontem para conflitos psíquicos relacionados à orientação sexual, o que faz o psicólogo? Como foi dito anteriormente, vamos escutar no enfoque psicoterapêutico. 
Na resolução do CFP – Conselho Federal de Psicologia a proibição é evidente quanto à adoção de ações coercitivas tendentes a curas e nas expressões de concepções que consideram a homossexualidade doença distúrbios ou perversão. É utópico psicoterapias que convertam hétero em gay, assim como gay em hétero. Se fossemos caminhar pelo campo das opções provavelmente as pessoas optavam pela aceitação social.
Mas a dúvida é: não chega ou não chegou até o momento em meu consultório hétero reclamando da orientação sexual que vive, mas temos escutado com frequência a insatisfação de pessoas reprovando sentimentos e desejos sexuais por pessoas do mesmo sexo. Continuar a escutar estes conflitos, caminhando com o outro por onde lhe for permitido não é errado, não fere o código de ética profissional. O ser humano é muito grande e subjetivo, quem vai dizer que a preocupação em procurar ajuda e priorizar a construção saudável de sua saúde mental não está ou não é eficaz? Quem pode ir contra a pessoa que está à procura de si mesmo?
Nesta escuta o fundamental é o psicólogo está centrado na pessoa que está ali na sua frente, o que certamente são sentimentos que não lhe agradam, fere a alma. Uma escuta plena e porque não epistemológica, ajuda o outro a entender-se, compreender-se, seja qual for à nomenclatura. Em suma, como estrutura principal o profissional psicólogo precisa apossar de si a certeza de quem lhe procurou não está interessado em resoluções e fundamentalismos, visa sofrer menos, se conhecer mais.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Reflexão


“É escutando pessoas que aprendo, é escutando pessoas que vivo construções interpessoais. Escutar é uma satisfação, seja o silêncio ou ruido do universo de uma pessoa”.

Psicologia no Divã


Inspirado no livro homônimo da escritora Martha Medeiros, Divã – dirigido por José Alvarenga Jr. (de Os normais – O filme) – Traz Mercedes, uma mulher de 40 anos que vive às voltas com as alegrias e desafios da sociedade contemporânea. Com dois filhos, ela procurar uma psicoterapia. Esta experiência transforma o cotidiano de Mercedes. Na terapia questiona seu lado profissional e seu casamento.
Sou fã de filmes nacionais, sabemos que temos no mínimo duas linguagens em se tratando da sétima arte aqui no Brasil, os filmes “fast-food” aqueles que montam um elenco, roteiro, produção e gravação do filme em prazos rapidíssimos para estrear nas férias, e os filmes mais pensados, mais bem preparados.
Sabemos que Divã se enquadra nos filmes “fast-food” mas o telespectador não perde em aprecia-lo, trata-se é um bom filme. O longa passa por dois momentos interessantes, um deles Mercedes vive uma perda, e o filme toma outra roupagem. O livro do qual foi baseado o filme não tive a oportunidade de ler, mas acredito que a mensagem passada tão declaradamente seja semelhante à conversa que a protagonista Mercedes apresenta no filme. Para ver, pensar e se divertir.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Uma análise psicológica do filme "Campeão"


Para esta semana trago uma análise psicológica do filme: Campeão, dirigido por Russel Mulcahy, uma produção australiana apresentada numa visão psicológica.
O filme Campeão retrata uma história verídica sobre um jovem que supera barreiras para chegar aos seus objetivos. Austrália, anos 50 e 60, Tony (personagem principal e filho caçula) vira campeão de natação e por muito pouco não competiu nas Olimpíadas de 1964. Grande parte do filme gira em torno da relação do pai (alcolista) e seu filho mais novo. O filho mais velho Harold segue a linha dominador, mas claramente observa-se que este comportamento não o leva a lugar nenhum na vida. Considerado uma “marica” Tony mostra inúmeros exemplos durante a exibição da película, que é quem possui o verdadeiro talento no esporte.
Dirigido por Russell Mulcahy, Campeão é uma prova de que com garra o homem é capaz superar grandes dificuldades. Sinteticamente analisando o filme numa visão psicológica pudemos considerar que Tony fazia parte de um contexto conflitante, sua família, mas especificamente seu pai o rotulava e influenciou um de seus irmãos e ser adversário nas piscinas.
Sua Mãe era o seu único refugio. Num terreno baldio encontravam-se para longas conversas transformando aquele lugar em um espaço terapêutico, escutava e não era rígida nos conselhos, sua mãe o apoiava nas circunstâncias mais delicadas, com este comportamento nos remetemos à importância do outro em nossas vidas, nos dando suporte nos momentos mais difíceis.
Não podemos “atirar” pedras no pai de Tony possivelmente sua história de vida entra como pano de fundo em seu atual comportamento. É lógico que não seremos passivos nas ações reais, a raiva é possível e sentimentos diversos tomam conta de qualquer pessoa naquela situação.
Inúmeros estímulos negativos estiveram presentes, a figura de seu pai, a traição de seu irmão quando treinava e competiu sem terem nenhuma comunicação previa, afinal, tinham um “pacto” de amizade enorme os comprimentos entre eles eram inéditos, com a traição findou-se.
A motivação é um comportamento ativo intencional dependente de fatores internos assim como externos, Tony apresenta isto quando motiva este caminho dedicando-se aos estudos e no esporte, a realização e o crescimento pessoal é possível mesmo num contexto estressante, conflitante. Precisaremos de certa sensibilidade para entender a “ignorância” no outro, como fez Tony, mas jamais desistir dos nossos sonhos