O que vem acontecendo na conduta de alguns homens praticando atitudes violentas, criminosas e explosivas com suas companheiras é no mínimo curioso. Nos últimos meses observamos na mídia diversos casos de violência e homicídios contra a mulher, todos praticados por ex-namorados inconformados com o final do relacionamento, na maioria das situações, ela é quem comunica o final do relacionamento, e ele, sempre com mais idade.
O caso da adolescente Eloá Pimentel de 15 anos é o mais conhecido; morta com um tiro no rosto, depois de ter sido vitima de seqüestro que durou cinco dias pelo ex-namorado Lindemberg Alves vinte e dois anos. Com o posicionamento da namorada encerrando o relacionamento, fica nela o sentimento da perda do objeto que construiu nos seus pensamentos, e, com esta não aceitação os seus comportamentos acontecem independentes da sua vontade; vale lembrar que as questões educacionais influenciam neste fato, crianças e adolescentes que crescem sem limites, sem ouvir a palavra não, vivem pensando que são donas do mundo; com o primeiro não proporcionado pela vida agem de maneira assustadora, covarde e cruel.
Dinâmica familiar desestruturada, amigos com históricos de agressões, vida escolar conturbada são alguns dos fatores estimuladores de possíveis comportamentos inadequados. Outra questão é a idade, uma garota iniciando na fase da adolescência namorar um rapaz de dezenove. É certo que temos inúmeros casos semelhantes, com relação à idade e são histórias felizes, mas, podemos pensar: Quem foi Eloá? Quem é Lindemberg? Como pensavam?
Possivelmente, a perda afetiva na qual precisaria passar com a separação do namoro ele não suportou, e quando, em comentário a imprensa ele coloca como quem perdeu uma parte sua, podemos designar entre outros aspectos que Lindemberg estendia suas emoções para um sentimento de paixão, se mobilizando a atitudes que fogem a razão. Parece simplista, mas é a última coisa que pretendo. A maneira como inserir uma pessoa numa cultura e educação considerada adequada para a sociedade, são riquezas, que contribuem para a vida comportamental e sentimental do indivíduo em grupo.
(Texto publicado na edição nº 21 do Jornal: Correio do Interior.)
