Na noite do último domingo o pais parou em frente a televisão para ver a entrevista da
apresentadora Xuxa para o Fantástico que entre outros assuntos admitiu ter sido vitima de
pedófilo na infância e início da adolescência, em um relato corajoso que chama
a atenção coletiva para pais e responsáveis de crianças e adolescentes. Uma pessoa que tenha vivido algum tipo de violência psicológica possivelmente
encontrará no futuro alguma dificuldade de relacionamento, e quando essa
violência acontece no contexto da sexualidade os conflitos são ainda severos e
traumáticos.
Um adulto com sentimentos de culpabilidade,
confusões e desorganizações emocionais são sinais de algumas pendências
estruturais na personalidade. Não necessariamente quem sofreu algum abuso na
infância ou adolescência passará por situações relatadas pela apresentadora
Xuxa, o abuso é sentido subjetivamente, ou seja, cada pessoa vivencia,
interpreta a situação de maneira diferenciada, mas certamente algum conflito se
instala.
Então fica a pergunta: O que os pais ou responsáveis pela educação e segurança de uma criança
ou adolescentes podem fazer para que esta situação seja evitada? Inicialmente
conversar com a criança passando confiança e cumplicidade é o primeiro passo
para que crimes como estes não aconteçam, ter o cuidado e infelizmente, não
acreditar em tudo que professores, padrinhos, amigos falem ou apresente. Está atento ao comportamento da criança ou
adolescente como situações de isolamento, mesmo que discreto torna-se uma
percepção extremamente importante para evitar a continuidade destes criminosos.
Costumo
dizer que uma criança que passa por abuso na infância é o mesmo que passar por
uma mutilação sem anestesia, sem anestesia por ser retirada de maneira abrupta
parte da alma, que nada sabe sobre sexo e sexualidade, são atitudes
que deixam sequelas emocionais enormes, ocupando toda a estrutura psíquica de
uma pessoa. O depoimento corajoso da apresentadora Xuxa, que é
símbolo de combate ao abuso de menores, inclusive hoje sendo convidada pelo
senador Magno Malta para falar da instalação da subcomissão de abusos contra
crianças, da Comissão de Direitos Humanos, apresenta-se como ponto extremamente positivo numa sociedade tão machista.
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